Já fazia um tempo que eu havia saído de um Galaxy Book4 Edge e estava aguardando a Samsung atualizar sua linha de Galaxy Book, até que tivemos o anúncio da linha Galaxy Book6 no Brasil com nada menos de 3 modelos e 9 variações. Aqui falo do modelo de entrada, o Galaxy Book6, que chega ao mercado com a difícil missão de conseguir um aquilíbrio entre custo e benefício.
Design e Conectividade
A carcaça em liga metálica, garante um visual e acabamento premium e resistente, que não deixa marcas de digitais com facilidade. Vale notar que o tom de cinza deste modelo é ligeiramente mais escuro que a versão Pro. Outro detalhe que me agradou foi a moldura plástica ao redor da tela – embora tire um pouco do aspecto premium, ela facilita a abertura da tampa e o ajuste de ângulo sem deixar marcas de dedo no display.
O Galaxy Book6 se destaca em conectividade trazendo uma grande variedade de portas, algo impensável para um ultrafino. São 2 portas USB-C, 2 portas USB-A, leitor microSD, entrada P2 para headset, porta HDMI e a cada vez mais rara entrada de rede RJ45.
Na conectividade sem fio, ele traz configurações um pouco mais modestas que a linha Pro e Ultra
Teclado e Touchpad
O touchpad é espaçoso e confortável, tem uma boa sensibilidade e responde bem aos gestos multi-toque. O teclado segue o padrão ABNT2 (com “ç” e indicadores ordinais), apresentando superfície texturizada e um fundo preto sob as teclas – o material e a textura do teclado do Galaxy Book6 são excelentes para evitar marcas de suor e gordura. O deslocamento das teclas (travel distance) é bom, um pouco maior que no Book6 Pro, o que garante uma digitação muito confortável.
Nesse quesito, o Galaxy Book6 só tropeça mesmo no mesmo detalhe do meu antigo Galaxy Book4 Edge 15.6” – ausência de retroiluminação no teclado. Apesar aceitável para um modelo de entrada, se torna uma economia inimaginável levando em conta sua faixa de preço.
Tela
As versões de entrada do Galaxy Book6 contam com um painel IPS que, apesar de não ter todo o glamour dos AMOLED de altíssima resolução, utilizados nos modelos Pro e Ultra, entrega muito bem aquilo promete com reprodução de cores, nível de brilho máximo e contraste acima da média para esse tipo de tela. O grande diferencial prático aqui é o acabamento fosco (anti-reflexo), para quem trabalha em ambientes luzes mais direcionadas, próximo a janelas ou mesmo ao ar livre, essa tela sofre menos interferência de reflexos do que os painéis de vidro tradicionais.
Desempenho e Benchmarks
Felizmente, nesse quesito não houve qualquer economia, deixando o Galaxy Book6 bem à frente de qualquer modelo de entrada. A minha versão vem equipada com o processador Intel Core Ultra 7 355, 32 GB de RAM DDR5, 1 TB de SSD NVMe, além da placa gráfica integrada Intel Iris Xe³ que, como ele tem memória RAM de sobra, consegue dedicar confortavelmente até 16GB para “placa de vídeo”.
Um detalhe muito bem vindo em relação ao armazenamento é a presença de um slot PCie livre, que permite a instalação de um segundo SSD no Galaxy Book6 (isso vale tanto para o modelo de 14″, quanto para o de 16″).
O desempenho para uso geral é excelente, aguentando bem softwares gráficos, edição de vídeos e embora não se trate um notebook gamer, ele até vai conseguir atender aqueles que desejam rodar jogos casuais com ajustes mais modestos. Fiz alguns benchmarks com ferramentas disponibilizadas dentro dos próprios jogos, a seguir você pode conferir os resultados.
| FPS Mínimo | FPS Médio | |
| FarCry 6 | 31 fps | 34 fps |
| Shadow of the Tomb Raider | 47 fps | 89 fps |
| Counter Strike 2 (CS2) | – | 58 fps |
O ajuste do desempenho e o resfriamento são os mais inteligentes que já usei em um notebook. Em uso leve (navegação e pacote Office), as ventoinhas ficam inativas, mantendo o silêncio e prolongando a duração da bateria, e mesmo assim não é possível notar aquecimento. Ao exigir da máquina em jogos ou softwares mais pesados, o resfriamento ativo entra em cena, o som do cooler fica nítido e o notebook aquece um pouco, ainda que não chegue a incomodar na hora de digitar ou apoiar no colo.
Bateria e Autonomia
Com uma bateria de 61.20 Wh, a eficiência energética dos novos chips Intel Ultra 3 se destaca, principalmente com o excelente ajuste da performance de acordo com a demanda, conforme comentei acima. Em um teste de estresse (benchmark em loop, 50% de brilho), ele suportou 3h20min no modo normal e incríveis 6h20min no modo de economia.
No uso multimídia, reproduzindo vídeos via streaming no YouTube (com brilho entre 100 e 120 nits e modo de economia), o Book6 alcançou passou de 12h longe da tomada. Outro ponto que vale destacar é o baixíssimo consumo em stand-by otimizado pela arquitetura – ao fechar a tampa às 09h30 e abri-la às 13h30, o consumo de bateria foi de praticamente 0%.
Veredito
Eu comprei o meu pelo Samsung VIP por R$ 8.120 (podendo ser parcelado em até 24×) – modelo NP740VJG-LG1BR com 32Gb de RAM e 1Tb de SSD, enquanto a versão de entrada NP740VJG-LA3BR com 16Gb de RAM e 512Gb SSD chega a custar R$ 7.399.
Infelizmente, essa não é uma época muito boa para os amantes de tecnologia. Mas, no geral, considero um bom custo benefício ao levar em conta o que ele entrega dentro do contexto de crise das memórias, que são preços ainda próximos ao lançamento, e a integração única dentro do ecossistema Galaxy. Pra ter uma idéia, o modelo de entrada da Apple, com a proposta de ser uma opção super econômica, parte de R$ 8.499 na versão com 8Gb de RAM e 256Gb de SSD ou R$ 9.699 se você optar por mais armazenamento.
Em resumo, o Galaxy Book6 vai te entregar um acabamento premium, ótima tela anti-reflexo, desempenho robusto capaz até de matar a vontade de jogar (se não houver grandes exigências com os fps), conectividade superior (com RJ45), uma duração de bateria excelente e a integração com outros produtos da Samsung como smartphones, tablets e buds. Pra mim, foi um excelente upgrade saindo do Galaxy Book4 Edge, especialmente por ter a opção de 14″.



